terça-feira, 22 de agosto de 2017

Doce Lar

A Rede Globo vai exibir esse filme hoje na Sessão da Tarde. O enredo é bem simples. Melanie Smooter (Reese Witherspoon) fica eufórica quando é pedida em casamento pelo boa pinta e partidão Andrew Hennings (Patrick Dempsey). Só tem um probleminha que ela precisa resolver antes de aceitar o maravilhoso pedido: resolver seu antigo casamento pois ela ainda não conseguiu se divorciar do caipirão Jake Perry (Josh Lucas). Assim ela resolve fazer uma viagem rápida à cidade natal no Alabama para formalizar seu divórcio do primeiro casamento, mas... voltar para o antigo lar acaba mexendo completamente com ela, ao relembrar sua antiga vida e os amores do seu passado.

De maneira geral é uma simpática comédia romântica cujo roteiro se baseia nas diferenças regionais dos estados americanos. Reese Witherspoon, sulista de nascimento como sua personagem (a atriz nasceu em  New Orleans, na Louisiana), encarna uma garota do Alabama que consegue dar a volta por cima na cidade grande, mas que precisa retornar ao seu "lar" no Alabama para "consertar" um pequeno problema em seu estado civil. Eu costumo dizer que Reese Witherspoon nem é tão carismática e passa longe de ser uma maravilhosa atriz, mas tem um talento e tanto para escolher os filmes certos a estrelar. Veja o caso desse aqui, uma comédia romântica até despretensiosa, de orçamento meramente mediano (custou pouco mais de 30 milhões de dólares, uma pechincha, tendo Reese como uma das produtoras) e que acabou faturando muito bem nas bilheterias americanas. A fotografia é bonita, os figurinos são de bom gosto e se no final ficamos com aquele sentimento de termos visto uma obra vazia, mas bonitinha. Tudo bem, valeu o tempo perdido. Já para os fãs da atriz o filme é uma indicação certeira pois a personagem do filme tem muito dela mesma.

Doce Lar (Sweet Home Alabama, Estados Unidos, 2002) Estúdio: Touchstone Pictures / Direção: Andy Tennant / Roteiro: Douglas J. Eboch, C. Jay Cox / Elenco: Reese Witherspoon, Patrick Dempsey, Josh Lucas, Candice Bergen / Sinopse: Garota do sul, que conseguiu vencer na cidade grande, precisa voltar para sua cidade natal para se acertar com seu ex-marido antes de se casar novamente. Filme indicado ao MTV Movie Awards e ao Teen Choice Awards na categoria de Melhor Atriz (Reese Witherspoon).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Borboleta Negra

Gostei bastante desse novo thriller de suspense. De certa maneira seu roteiro me lembrou até mesmo de "Misery - Louca Obsessão", aquele bom filme baseado na obra de Stephen King. Pois bem, as semelhanças são bem óbvias. A história conta a crise de criatividade que se abate sobre Paul (Antonio Banderas), um escritor. No passado ele fez sucesso com seus livros, sendo aclamado muito jovem por público e crítica. Depois desse começo arrebatador veio a crise. Ele entrou em um período ruim, onde não conseguia criar mais nada que fosse relevante. Com isso sua carreira entrou em declínio, sua esposa o deixou e ele resolveu se isolar, indo morar numa velha casa no meio do campo, sem nada e nem ninguém por perto. Isolamento completo. Numa manhã acaba resolvendo dar uma carona a um andarilho, Jack (Jonathan Rhys Meyers). Pouco tempo antes esse mesmo Jack o havia defendido de um caminhoneiro truculento em um bar da cidade.

Agora, para retribuir o favor, Paul resolve dar uma mão ao sujeito. Mais do que isso, o convida para ir em sua casa, tomar um banho, descansar um pouco. Só que Paul nem desconfia que Jack pode ser um homem bem perigoso. Se ouvisse as notícias que circulam na região, sobre um violento serial killer, teria mais consciência da armadilha que estaria se metendo. Falar mais seria estragar as surpresas do roteiro, que aliás usa e abusa de reviravoltas. Para se ter uma ideia com dez minutos de seu final a trama tem uma grande reviravolta, dessas de deixar todos com o queixo caído. E não fica por aí. No minuto final, mais uma enorme reviravolta! Penso que apesar de todas essas surpresas serem até bem boladas, não era necessário tanta montanha russa. Mesmo assim a diversão estará garantida. A dupla central é muito boa. Tudo bem que acreditar que Antonio Banderas seja um intelectual em crise seja um pouco demais, porém tudo é compensado pela boa atuação de Jonathan Rhys Meyers. Ele está bem magro e com aspecto ameaçador. O ator teve recentes problemas com drogas, o que acabou, mesmo de forma indireta, ajudando em seu trabalho. Então é isso, um bom thriller de suspense que faria até mesmo Stephen King assinar embaixo.

Borboleta Negra (Black Butterfly, Estados Unidos, Espanha, 2017) Direção: Brian Goodman / Roteiro: Marc Frydman, Justin Stanley / Elenco: Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers, Piper Perabo / Sinopse: Escritor em crise, dominado pelo alcoolismo, entra em uma armadilha mortal ao resolver dar carona a um andarilho das estradas que conheceu em um bar local. O sujeito logo o joga em uma situação de vida e morte dentro de uma cabana perdida no meio do nada. Filme indicado ao Madrid International Film Festival.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 20 de agosto de 2017

The Beatles - Abbey Road - Parte 6

John Lennon gostava de passar suas férias na Espanha, nas praias que banhavam a costa do mar Mediterrâneo. Foi justamente numa dessas viagens que ele compôs "Sun King". Ele inclusive decidiu colocar algumas palavras em espanhol na letra original(que depois contaria com a preciosa colaboração de Paul que sabia mais algumas frases na língua espanhola). Embora seja um bom momento do disco não há como negar que se trata de mais um pedaço de música inacabada por John que acabou sendo encaixada no lado B do álbum. Como havia muitos trechos como esse, Paul teve a brilhante ideia de juntá-las todas, como se fizessem parte de um grande medley.

O mesmo valeu para "Golden Slumbers". Paul tirou a ideia da canção de uma obra infantil, um conto de fadas. Depois escreveu o arranjo como se fosse uma velha canção de ninar. Para a letra Paul usou a obra do poeta Thomas Dekker. Mesmo com tantas fontes de inspiração Paul não se sentiu muito confortável com o resultado final. Para ele ainda estava faltando algo, pois a gravação original realmente tinha ficado bem curta.

Assim ele resolveu unir a música anterior com "Carry That Weight", outra de suas composições que ele trazia para o álbum. John Lennon ficou um pouco irritado após ouvir a primeira demonstração da música por Paul dentro do estúdio porque a letra era obviamente outra indireta contra Allen Klein, o sujeito que John havia trazido para ser o novo empresário dos Beatles. Paul havia ficado muito irritado com essa escolha pois ele queria que seu sogro se tornasse o novo homem de negócios do grupo. John porém passou por cima de Paul, colocando Klein no comando. A troca de farpas entre eles dentro dos estúdios Abbey Road assim se tornou bem óbvia. John inclusive cogitou mais uma vez sabotar a criação de seu colega de banda, colocando todos os tipos de problemas para tocar na gravação. Sua má vontade tinha se tornado bem clara para todos.

"Mean Mr. Mustard" por sua vez era mais uma contribuição de John. Ele havia escrito poucas linhas do que viria a se tornar a canção quando estava na Índia. De certa forma era uma sobra das gravações do "White Album" que John resolveu resgatar. O curioso é que anos depois ele destruiu a música ao comentar sobre ela durante uma entrevista. Ele próprio reconheceu que a composição era "Um lixo que ele havia escrito em algum pedaço de papel quando estava na Índia". Como se pode ver John não deixava pedra sobre pedra com seu estilo mordaz de criticar não apenas os outros, como também a si próprio.

Pablo Aluísio.

sábado, 19 de agosto de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 3

A obra prima de John Lennon em "Revolver" foi justamente essa estranha (para a época)  "Tomorrow Never Knows". Para muitos especialistas em rock essa canção foi o verdadeiro marco zero no que viria a ser depois chamado de Rock Psicodélico. Quando John entrou em Abbey Road pela primeira vez com o esboço da letra dessa música ele não tinha exatamente ideia do que ela iria se transformar. Ao lado do maestro e produtor George Martin ele passou dias, horas e mais horas de estúdio, tentando reproduzir o tipo de sonoridade que ele procurava. John queria que George Martin recriasse o som que ele definia como a de uma fita de gravação sendo rebobinada. Algo inédito na época. Depois de muitas tentativas e erros finalmente a gravação foi finalizada, se tornando a primeira grande experimentação musical dos Beatles em sua discografia. Não havia mais limites a respeitar em termos de criatividade dentro dos estúdios.

Para o álbum "Revolver" John Lennon parecia estar mesmo muito inspirado. Tanto que ele iria trazer outra "pauleira" para ser gravada. A música se chamava apenas "She Said She Said". Ao contrário de "Tomorrow Never Knows" essa já estava praticamente feita quando John a apresentou aos demais membros da banda. Ele havia gravado uma fita demo e tudo já estava ali, sem precisar trabalhar muito nela. Mais uma vez a presença do produtor George Martin se mostrou vital. Ele sugeriu a John que aumentasse a distorção das guitarras, já que ele queria um rock bem ao velho estilo. O resultado saiu melhor do que o esperado.

A composição surgiu de uma conversa entre John e Peter Fonda. A inspiração obviamente veio do LSD, o ácido lisérgico, que ia se tornando cada vez mais popular. John e Paul não se deram muito bem durante as gravações. Eles discordaram muito sobre como a música deveria ser gravada. Paul queria mais melodia, enquanto John queria um som bem mais cru. Como não chegaram a um acordo satisfatório, Paul resolveu abandonar sua participação na música. John então pediu a George Harrison que tocasse o baixo. Isso demonstrava que o stress e as brigas entre John e Paul já vinha de algum tempo. Algo que iria destruir o grupo em alguns anos.

Por falar em George Harrison ele também trouxe suas próprias composições para o disco. Uma delas foi "I Want to Tell You". Nessa todos os Beatles estavam presentes. No começo Paul não gostou muito da melodia e disse a George que era necessário trabalhar mais na música antes de gravá-la. Era precisa escrever mais algumas linhas de melodia, acrescentar mais notas musicais, mas Harrison recusou a ajuda de Paul. No final a música foi gravada do jeito que George queria, embora ao ouvi-la se chegue na conclusão de que Paul McCartney realmente tinha razão. A música parece não ir para lugar nenhum, exagerando no uso e abuso do refrão, algo que no final das contas se torna até mesmo cansativo.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Garota Húngara

Szebeni Kató (Laura Döbrösi) é uma pobre garota vinda do interior que chega na capital em busca de trabalho. Não está fácil, ela é jovem, não tem experiência e nem cartas de recomendação de empregos anteriores. Para ela é uma questão crucial arranjar logo alguma forma de sobrevivência pois o inverno chegou e ela não tem onde morar. Solidária com sua situação, a governante de uma atriz e cortesã resolve lhe dar o emprego de doméstica. Sua nova patroa, Mágnás Elza (Patricia Kovács), vive de explorar os sentimentos de um homem mais velho, apaixonado por ela. Elza está ficando cada dia mais velha, perdendo o clamor da juventude, então para ela fica cada vez mais evidente que é preciso tirar o maior proveito daquele sujeito enquanto ele ainda tem interesse nesse caso romântico (no fundo, pura prostituição mesmo, pois ela não o ama).

 Gostei desse filme produzido na Hungria. Não é muito fácil encontrar produções feitas no leste europeu, ainda mais dessa qualidade. O enredo tem um toque de decadência moral, mostrando uma jovem inocente vindo do interior tendo que agora lidar com uma nova vida, com a sordidez de um ambiente onde sua patroa explora um velho rico, visando única e exclusivamente tirar dinheiro dele. Ela quer fazer um filme sobre Joana D´Arc (pois é uma atriz frustrada) e a única forma de levantar esse dinheiro é depenando ainda mais o velho babão que é apaixonado por ela. Não demora e Elza percebe que sua nova empregada é bonitinha e daria uma bela prostituta também, só que a garota é religiosa, procura sempre andar no bom caminho. Porém, sendo pobre demais e sem perspectivas de um futuro melhor, até onde ela vai resistir a vender seu próprio corpo em troca de favores, luxo e dinheiro? Então é isso. Um bom drama, com algumas cenas mais picantes (nada vulgares), mostrando como até mesmo as mulheres mais virtuosas podem balançar em suas convicções quando a pobreza bate à porta!

A Garota Húngara (Félvilág, Hungria, 2015) Direção: Attila Szász / Roteiro: Norbert Köbli / Elenco: Patricia Kovács, Dorka Gryllus, Laura Döbrösi / Sinopse: Jovem e inocente garota vinda do interior acaba arranjando um emprego de doméstica na casa de uma atriz frustrada que vive como cortesã de um homem rico. Logo a nova patroa percebe que sua nova criada é bem bonita, que poderia lhe render bem como a nova prostituta da cidade. A garota porém está decidida a resistir seguir por esse caminho.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Na Mira do Atirador

Apenas razoável esse novo filme de guerra produzido pelo recentemente inaugurado Amazon Studios. Tudo se passa nos últimos dias da intervenção americana no Iraque. Dois soldados da força Ranger são enviados para um posto avançado na tentativa de localizar um sniper (atirador de elite) iraquiano. Eles passam então um longo tempo camuflados esperando localizar o inimigo, mas em vão. Cansados, acabam abrindo guarda e um deles é logo atingido por um tiro certeiro. O outro se fere e procura abrigo em um pequeno muro de uma escola em ruínas. O sniper iraquiano então começa a entrar em contato com ele pelo rádio, dando origem a uma guerra psicológica entre os dois.

É aquele tipo de roteiro que explora uma situação única. Tudo se passa em pouco tempo, com o soldado americano encurralado pelo atirador de elite das forças inimigas, tentando sobreviver aos tiros e ao calor infernal daquele deserto. Até que em alguns momentos o filme apresenta boas cenas, mas no geral não consegue sair muito do lugar comum. O atirador iraquiano nunca aparece, apenas sua voz é ouvida. Ele parece também ser um sujeito bem sádico e ao mesmo tempo bem inteligente pois consegue abater vários soldados americanos. Igualmente é um mestre na camuflagem, nunca sendo localizado pelos rangers. De certa maneira o roteiro dá muito destaque ao sniper inimigo, algo que causa surpresa pois afinal é uma produção americana que deveria colocar os seus como os heróis do filme. Ao contrário disso eles viram patinhos, alvos ambulantes para o muçulmano. Não é algo muito fácil de encontrar em filmes desse tipo. Fora isso é apenas uma fita de guerra mais convencional, que até consegue agradar um pouco, se você não for muito exigente.

Na Mira do Atirador (The Wall, Estados Unidos, 2017) Direção: Doug Liman / Roteiro: Dwain Worrell / Elenco: Aaron Taylor-Johnson, John Cena, Laith Nakli / Sinopse: Dois soldados americanos da força Ranger do exército acabam encurralados por um atirador de elite iraquiano que já matou diversos militares inimigos durante a intervenção americana no Iraque. Filme indicado ao Golden Trailer Awards na categoria cinema independente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O General Lee e a Supremacia Branca

Essa semana não houve notícia mais comentada do que o desfile dos supremacistas brancos na pequena cidade de Charlottesville, no estado sulista da Virgínia. A coisa toda começou quando algumas pessoas decidiram que era hora de colocar abaixo uma estátua do General Robert Lee, o herói confederado da guerra civil americana. Como gosto muito de história não deixei de prestar atenção em todos os acontecimentos. O mais curioso de tudo é saber que o velho general Lee foi, através do tempo, alçado a uma posição, se tornando símbolo de uma causa, que nem ele mesmo acreditava em vida.

O General Lee virou de certa forma um ícone desse movimento de supremacia branca nos Estados Unidos. O problema é que Lee não era um defensor da escravidão negra como muitos pensam. Ao contrário disso ele era um sujeito bem pragmático, um militar que mesmo tendo lutado ao lado dos confederados, sabia muito bem que não havia volta sobre a libertação dos escravos. A roda da história havia girado e não teria mais como manter a escravidão dos negros nas plantações de algodão das grandes fazendas do sul. O General Lee ia além e sabia até mesmo de antemão que seria impossível vencer a guerra. Homem experiente, general famoso do exército americano, ele tinha plena consciência de que as melhores tropas, os melhores armamentos e oficiais estavam do lado da União, dos ianques. Vencer aquela guerra civil era praticamente impossível.

Assim você pode se perguntar: Se Robert Lee não acreditava na escravidão e sabia que o Sul jamais venceria a guerra, por que afinal ele ficou do lado do exército confederado? A resposta sobre essa questão pode ser encontrada em qualquer biografia do militar americano. Ele sempre dizia que havia entrado para o lado rebelde simplesmente porque seu estado natal, a Virgínia, havia decidido lutar ao lado da Confederação. Ele dizia amar sua terra natal e assim foi para um exército que tinha poucas chances de vitória, lutando por uma causa que nem sequer acreditava. Ele nem era um racista, mas sim um homem do seu tempo, que sabia muito bem que a escravidão estava com os dias contados.

E a história também tem suas ironias. Com os anos Robert Lee virou esse símbolo dos supremacistas, dos neonazistas americanos do sul, mas a verdade é que ele não tinha essa visão que seus supostos seguidores ainda defendem. Já o presidente Abraham Lincoln, dito como o grande libertador, escreveu textos de cunho nitidamente racistas. Em um deles chegou a dizer que os negros jamais poderiam ser comparados aos brancos, que eram superiores. Mais do que isso, em determinado momento da guerra Lincoln estava disposto a abrir mão da abolição da escravidão em troca da paz, algo que pelo calor dos acontecimentos foi negado pelos sulistas. Assim o tempo muda as percepções. Nem Lincoln foi esse herói todo que muitos almejam, nem Robert Lee foi esse racista da supremacia branca que tantos o descrevem. A verdade histórica é bem mais complexa do que muitos imaginam.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

King Kong

Para muitos quando se fala no "King Kong original" o que lhe vem na cabeça é justamente essa versão dos anos 70. Também pudera, o verdadeiro filme original sobre o gorila gigante é da década de 30, quando esses nem eram nascidos. Esse também é o meu caso. O primeiro filme com o personagem King Kong que assisti foi justamente esse. É uma produção do famoso produtor Dino De Laurentiis feito em parceria com a Paramount Pictures. Dino havia comprado os direitos do gorilão dois anos antes. Inicialmente ele pensou em rodar um filme em Roma, mas com o interesse dos americanos ele resolveu produzir o filme em Hollywood mesmo. Embora King Kong tivesse sido explorado em uma série de filmes japoneses (ao estilo trash), De Laurentiis queria uma produção classe A, para ser lançado no natal daquele ano.

Para modernizar a história tudo foi mudado, mantendo-se apenas as linhas básicas da trama. No primeiro filme tudo se passava na década de 30 (algo que seria mantido por Peter Jackson anos depois em sua versão), mas aqui o enredo se passa na atualidade. Kong não enfrenta mais aviões antigos, da I Guerra Mundial (os teco-tecos nostálgicos), mas sim aviões modernos. Ele também não sobe no Empire State, mas sim no World Trade Center (as torres gêmeas que seriam destruídas em 11 de setembro). O elenco também tinha atrativos. Jeff Bridges, ainda bem jovem e com cabelão, chamava a atenção, porém quem roubava a cena era mesmo a loira Jessica Lange, no auge de sua beleza. Suas cenas sensuais até hoje chamam a atenção. No final o diretor John Guillermin realmente fez um belo trabalho. Haveria ainda uma continuação, já nos anos 80, mas dessa é melhor esquecer.

King Kong (King Kong, Estados Unidos, 1976)  Direção: John Guillermin / Roteiro: James Ashmore Creelman, Ruth Rose / Elenco: Jeff Bridges, Charles Grodin, Jessica Lange / Sinopse: Um grupo avançado acaba descobrindo numa ilha remota do pacífico um monstro, um gorila gigante chamado King Kong. Eles então resolvem levá-lo de volta à civilização para explorar economicamente suas aparições públicas, mas tudo acaba saindo do controle, levando caos e destruição a Nova Iorque. Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais (Carlo Rambaldi, Glen Robinson e Frank Van der Veer). Também indicado nas categorias de Melhor Fotografia (Richard H. Kline) e Melhor Som. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Jessica Lange).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Dragnet - Desafiando o Perigo

Complicado entender o porquê desse filme não ter dado certo. Já nos anos 80 quando o aluguei pela primeira vez já o achei muito fraquinho, completamente sem graça. O curioso é que havia dois comediantes excelentes formando a dupla principal do filme, Dan Aykroyd e Tom Hanks. Aykroyd estava no pique do sucesso em sua carreira no cinema, ainda aproveitando os frutos do sucesso de "Caça-Fantasmas". Já Hanks ainda era bem jovem, mas já havia se tornado um ator bem conhecido, principalmente por filmes como "Splash - Uma Sereia em Minha Vida", "Um Dia a Casa Cai" e "A Última Festa de Solteiro". Por essa época ele era apenas um comediante e não havia começado sua carreira como ator dramático. Como se não bastasse a presença dos dois ainda havia gente como Christopher Plummer no elenco de apoio...

Mas nem isso, nem o fato de ser um remake de uma série policial de sucesso do passado, ajudou o filme. É tudo muito inofensivo, sem sal, fraco demais... essa é a palavra! Basicamente é uma comédia policial onde Dan Aykroyd interpreta o tira certinho (beirando a obsessão, seguindo à risca as regras) e Hanks é o policial mais deslocado, malandro, com jogo de cintura. E com tudo isso sob a mesa pouca coisa ainda funciona. Acredito que o que estragou o filme foi a trama, muito clichê! Eles deveriam ter escolhido uma estorinha melhor, afinal se "Dragnet" havia sido uma série certamente havia algo melhor em seus vários episódios para adaptar. Do jeito que ficou acabou sendo um tremendo desperdício de tempo, dinheiro e talento. O que era para ser o primeiro de uma série de filmes acabou parando por aqui mesmo. Faltou mesmo gás nessa adaptação.

Dragnet - Desafiando o Perigo (Dragnet, Estados Unidos, 1987) Direção: Tom Mankiewicz / Roteiro: Dan Aykroyd, Alan Zweibel  / Elenco: Dan Aykroyd, Tom Hanks, Christopher Plummer / Sinopse: Dois policiais de Los Angeles resolvem se unir para solucionar um mistério envolvendo um crime que parece ser sem solução. Para isso eles acabam usando dos meios mais incomuns para prender os verdadeiros culpados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Celebridades

Nos anos 70 Woody Allen dirigiu uma série de filmes bem autorais. Os roteiros eram bem intelectualizados e o humor refinado. Acontece que naquela época o diretor tinha um produtor rico, um tipo de mecenas, que sempre bancava a produção de seus filmes. Mesmo que essas produções não trouxessem grandes bilheterias ou até mesmo se viessem a se tornar fracassos, não importava. O mecenas estava lá para bancar Allen e sua filmografia. Nos anos 90 ele morreu. Assim Woody Allen precisou se mexer novamente, fazer filmes mais comerciais, que trouxessem retorno financeiro aos estúdios. Esse "Celebridades" é dessa segunda fase. Allen deixou as obras mais autorais de lado, encheu seus filmes de atores conhecidos e estrelas de Hollywood (que participavam quase de graça em suas obras pelo simples prestígio de trabalhar nelas) e mudou seu estilo de fazer cinema.

Eu nunca gostei muito desses filmes da segunda fase do diretor. Eles são artificiais demais, com roteiros mais bobos, mais simples, tudo para abrir espaço a uma constelação de atores famosos. A maioria desses filmes trazem roteiros mosaicos, com várias histórias se desenvolvendo ao mesmo tempo, se encontrando apenas no final. Algo cansativo e que nem sempre funciona direito. Como o próprio nome desse filme indicava, Allen resolveu reunir um grupo de celebridades do cinema, com direito a  Leonardo DiCaprio e Charlize Theron em papéis menores, servindo como coadjuvantes de alto luxo. No saldo final tudo é bem fraco. Allen até tentou se justificar, dizendo que o roteiro servia como uma crítica ao mundo das celebridades, mas sabemos que o que ele queria mesmo era fazer boa bilheteria. Sem o velho e bom mecenas era hora de arregaçar as mangas e fazer sucesso a todo custo. Por fim um detalhe curioso: no elenco temos uma participação especial de Donald J. Trump, ele mesmo o atual presidente dos Estados Unidos! Naquela época ele era apenas mais uma celebridade espalhafatosa e ninguém poderia supor que um dia iria se tornar presidente!

Celebridades (Celebrity, Estados Unidos, 1998) Direção: Woody Allen / Roteiro: Woody Allen / Elenco:  Leonardo DiCaprio, Charlize Theron, J.K. Simmons, Joe Mantegna, Kenneth Branagh, Judy Davis, Donald J. Trump / Sinopse: Um grupo de casais, alguns deles formados por celebridades, passa por inúmeras crises em seus casamentos, tudo desandando para uma série de divórcios escandalosos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Última Ressaca do Ano

Parece uma comédia dos anos 80. De certa forma me lembrou até mesmo de "A Última Despedida de Solteiro", porém de forma menos picante e com menos piadas sexistas. A história é bem básica. Uma filial de uma empresa de tecnologia está prestes a ser fechada. Para evitar que isso aconteça é bolada uma enorme festa de fim de ano, daquelas bem chatas que são feitas em escritórios, para ver se um cliente fecha contrato com eles. Esse contrato milionário salvaria a filial e preservaria o emprego de todo mundo. Bom, quem conhece comédias americanas sabe bem onde tudo isso vai dar. As coisas vão fugindo do controle até que a tal festa de natal se torna um caos completo.

É uma fita divertida, não se pode negar. Comédias assim andam bem raras. O roteiro é esperto, tem excelentes tiras de humor. Muito do que se vê de engraçado vem daquele tipo de situação constrangedora que acaba virando piada no dia seguinte. Os tipos que trabalham no escritório são bem clichês, mas isso é basicamente o que se precisa para fazer um roteiro engraçado. O politicamente correto acaba servindo também de instrumento de humor, principalmente pela personagem que trabalha nos recursos humanos da empresa, sempre preocupada com o que se diz e se fala dentro do escritório. T.J. Miller é um dos donos do escritório, um cara boa praça que praticamente arruinou a filial por ser basicamente muito gente boa com seus empregados. Jennifer Aniston é sua irmã, que quer fechar a empresa de todo jeito para economizar custos. Por fim, fechando o trio principal de personagens, temos Jason Bateman como o supervisor, amigo de Miller, que dá apoio a todas as suas criancices. Então é isso. Curti e me diverti. Uma comédia que não aborrece e nem enche a sua paciência. Já está bom demais assim.

A Última Ressaca do Ano (Office Christmas Party, Estados Unidos, 2016) Direção: Josh Gordon, Will Speck / Roteiro: Justin Malen, Laura Solon / Elenco: Jason Bateman, Jennifer Aniston, T.J. Miller, Olivia Munn / Sinopse: Para conquistar um cliente novo e evitar que a filial de uma empresa seja fechada, é criada uma enorme festa de fim de ano, só que as coisas rapidamente fogem do controle.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 12 de agosto de 2017

Revelação

Ao longo de uma carreira bem produtiva, com muitos filmes, Harrison Ford atuou nos mais diversos gêneros cinematográficos. Aqui ele resolveu arriscar estrelar um filme de terror e suspense, algo que nunca havia sido habitual em sua filmografia. Aliás não me lembro de nenhum outro filme de Ford nesse gênero, apenas esse. Pena que não deu certo. O roteiro explora uma trama mal escrita, envolvendo fantasmas e espíritos que surgem nas sombras. Nada muito original ou assombroso, o que para um filme que vinha com proposta de causar sustos era uma péssima notícia.

Outro novato nessa área era o diretor Robert Zemeckis. Pupilo de Steven Spielberg, Zemeckis nunca havia dirigido um filme de terror antes em sua carreira. Ele sempre será lembrado pela trilogia "Back to the Future" (De Volta para o Futuro), uma ficção bem humorada, com fartas doses de pura diversão. Assim, no final das contas esse "Revelação" trazia dois veteranos no cinema, mas novatos no pantanoso terreno dos filmes de terror. Faltou experiência na área, impossível negar. Para não dizer que o filme foi um desperdício total de dinheiro e talentos envolvidos, podemos pelo menos elogiar a beleza de Michelle Pfeiffer, que pelo menos teve algumas cenas para nos despertar do tédio absoluto. Detalhe curioso: a banheira, marca registrada dessa produção, foi distribuída em versão miniatura para as locadoras da época. Um marketing bem bolado. Pena que o filme em si não ajudou em nada.

Revelação (What Lies Beneath, Estados Unidos, Inglaterra, 2000) Direção: Robert Zemeckis / Roteiro: Clark Gregg, Sarah Kernochan / Elenco: Harrison Ford, Michelle Pfeiffer, Katharine Towne / Sinopse: Claire (Michelle Pfeiffer), esposa do renomado Dr. Norman Spencer (Harrison Ford), começa a ouvir e sentir a presença de espíritos desconhecidos em sua casa, entre eles uma mulher falecida que passa a surgir durante as madrugadas pelo local, causando pânico em Claire. Para o médico porém tudo não passaria de meras ilusões criadas em sua mente.

Pablo Aluísio.

As Confissões

Durante uma reunião de cúpula do FMI (Fundo Monetário Internacional) surge um monge da ordem dos cartuxos. No começo ninguém entende nada, pois a presença dele no meio daqueles banqueiros e executivos do sistema financeiro não faz muito sentido. Ele está ali a convite. Um dos executivos do FMI o convidou pessoalmente pois ele quer fazer uma confissão em seu próprio quarto, durante as reuniões. Na mesma noite em que o monge ouve sua confissão o tal figurão acaba se matando com um saco plástico na cabeça. Assim a polícia começa as investigações, tendo como principal suspeito o próprio monge, já que ele foi o último a ver o banqueiro com vida. Haveria alguma ligação do religioso com a morte?

Filme italiano bem interessante. No começo você pensa se tratar de um roteiro ao estilo Agatha Christie, onde um grupo de pessoas se torna suspeita de uma morte misteriosa. Afinal a morte do executivo do FMI poderia sugerir uma cena plantada, com um suposto suicídio encobrindo um assassinato. Nesse caso as suspeitas recairiam sobre o monge cartuxo. Esse porém não é o caminho seguido pelo roteiro. Ao contrário de seguir por esse tipo de trama (o que seria de certa forma banal) o roteiro tenta trazer algumas reflexões mais profundas, de origem espiritual, grande parte delas fundadas na extrema contradição de termos um religioso no meio de um bando de tubarões do mercado financeiro, pessoas extremamente gananciosas, materialistas, enquanto o pobre religioso, que fez voto de pobreza, acha tudo aquilo um exercício de futilidade e banalidade. Afinal para que juntar tesouros na terra se todos vamos virar pó um dia? No final o roteiro ainda abre margem para uma pequena insinuação de natureza divina, mas quando chegamos nesse ponto do filme tudo já está consumado, de forma bem satisfatória aliás.

As Confissões (Le confessioni, Itália, França, 2016) Direção: Roberto Andò / Roteiro: Roberto Andò, Angelo Pasquini / Elenco: Toni Servillo, Daniel Auteuil, Pierfrancesco Favino / Sinopse: Monge da ordem dos cartuxos é convidado para participar de uma reunião de cúpula do FMI. Ele chega para tomar a confissão de um dos executivos, um homem que tem planos de se matar exatamente durante as reuniões dos membros do sistema financeiro internacional. Filme indicado ao David di Donatello Awards e ao Italian National Syndicate of Film Journalists.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O Bebê de Bridget Jones

Esse é o terceiro e ao que tudo indica último filme dessa franquia "Bridget Jones". O primeiro foi lançado em 2001 e se chamava "O Diário de Bridget Jones". Segue sendo sem dúvida o melhor de todos. Renée Zellweger estava linda e carismática no papel, inclusive superando todas as críticas que vinha sofrendo por ser uma americana interpretando uma personagem tão inglesa! Depois desse tivemos o fraco "Bridget Jones: No Limite da Razão" em 2004. Uma sequência bem decepcionante. Agora finalmente temos mais uma continuação, 13 anos depois do último filme! Nem é preciso dizer que já está um pouco tarde demais para seguir em frente. Eu não gosto de falar da aparência física das pessoas, mas o fato é que nesse meio tempo entre os dois filmes a atriz Renée Zellweger fez uma cirurgia plástica que simplesmente mudou as feições do seu rosto! Uma coisa de louco! Aquela simpática loirinha texana, de bochechas rosadas, não existe mais. No lugar dela surgiu uma nova Renée Zellweger com uma aparência estranha, nada bonita e nem simpática. Carisma zero! Mostra bem como procedimentos de cirurgias plásticas podem ser danosos e desastrosos! Ao reencontrar Renée nas telas quase nem a reconheci direito! Só nessa sensação estranha já se foi grande parte da graça do filme!

Aliás por se tratar de uma comédia era de se esperar que fosse ao menos engraçado. Esse é outro problema sério dessa produção. O filme não tem graça nenhuma. É muito chato! A personagem Bridget Jones inclusive perde toda a sua essência, se transformando numa mulher cheia de complexos, tentando se casar, ter um filho, ou seja, seguir aquela velha ladainha imposta pela sociedade às mulheres, como se uma mulher não pudesse ser feliz solteira e sem filhos! Assim ela começa a agir como uma adolescente meio boboca e fica grávida, mas sem saber quem seria exatamente o pai de seu filho. Os candidatos são o seu antigo namorado Mark Darcy (Colin Firth) que inclusive está casado ou o bonitão Jack (Patrick Dempsey) que ela acabou de conhecer em um festival de música. E basicamente é isso. Nada muito bem bolado, nada muito original, apenas a saturação de uma série de filmes que já deu o que tinha que dar após todos esses anos. Para piorar o péssimo roteiro ainda temos que lidar com a mudança radical do rosto de Renée Zellweger e o fato dela ter perdido grande parte de suas expressões faciais após tantas plásticas. Um desastre! Enfim, uma situação constrangedora e nada divertida, para dizer o mínimo.

O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones's Baby, Estados Unidos, Inglaterra, 2016) Direção: Sharon Maguire / Roteiro: Helen Fielding, Dan Mazer / Elenco: Renée Zellweger, Colin Firth, Patrick Dempsey, Emma Thompson / Sinopse: Bridget Joens (Renée Zellweger) descobre que está grávida, mas ao mesmo tempo não tem certeza sobre quem seria o pai da criança. Aos 42 anos de idade e cheia de dúvidas sobre seu futuro, ela tenta descobrir a paternidade da maneira menos escandalosa possível, algo que pelo seu histórico não será nada fácil de acontecer.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2

A Marvel voltou a acertar no cinema com esse segundo filme da franquia "Guardians of the Galaxy". Não deixa de ser irônico o fato da empresa estar acertando tanto no cinema e errando também tanto na mesma proporção em seu próprio universo, a dos quadrinhos. Como se sabe a Marvel fez uma remodelação radical de seus personagens nesse ano e conseguiu desagradar a todo mundo. Com vendas baixas, está mais uma vez tentando consertar seus erros. Isso, claro, nos quadrinhos, porque no cinema o estúdio tem acertado cada vez mais. Esse é mais um bom filme para provar isso. Mesmo que você não tenha a menor ideia do que seja esse grupo chamado Guardiões da Galáxia, vai acabar no mínimo se divertindo no final. Outro ponto positivo: não é necessário ter visto o primeiro filme, pois esse aqui funciona perfeitamente bem sozinho.

A trama gira em torno do fato de que Peter Quill (Chris Pratt) finalmente encontrou seu pai! E ele é nada mais, nada menos, do que Kurt Russell! Brincadeiras à parte, é isso mesmo. Russell interpreta um sujeito chamado Ego. No começo parece ser mais um viajante espacial, um cara boa praça, muito amigável. Só que no fundo ele é uma espécie de deus antigo que tem ambições nada sutis sobre o universo. Colocar Kurt Russell no elenco foi certamente uma das melhores decisões dos produtores, porque esse veterano das telas, de tantos filmes de ação, acaba sendo um chamariz a mais para um público mais velho se interessar em assistir a esse filme. E por falar em filmes de ação dos anos 80, os fãs desse estilo terão outra surpresa com a participação especial de Sylvester Stallone. Tudo bem, ele só tem duas cenas no filme inteiro, mas que não deixam de agradar aos cinéfilos que cresceram vendo seus filmes. Em termos de produção também não há o que reclamar. A direção de arte optou por um universo muito colorido, com uso de toneladas de efeitos especiais de bom gosto (o que era previsível). O roteiro também está bem OK, com trama interessante, se fechando muito bem no final. Então é isso, mais um acerto da Marvel nos cinemas. Um filme divertido, que vai agradar tanto aos leitores de quadrinhos, como aos espectadores que só gostam de cinema.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2, Estados Unidos, 2017) Direção: James Gunn / Roteiro: James Gunn, Dan Abnett / Elenco: Chris Pratt, Kurt Russell, Sylvester Stallone, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker / Sinopse: Peter Quill (Chris Pratt) nunca conheceu seu pai. Durante mais uma viagem pela galáxia acaba encontrando com Ego (Kurt Russell) que se apresenta como seu pai perdido. Ele teve um romance com a mãe de Peter na Terra e desse relacionamento Quinn nasceu. Só que Ego não é uma pessoa comum, ele é uma antiga entidade, com poderes realmente divinos. Filme vencedor do Golden Trailer Awards, indicado ao Teen Choice Awards.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.