sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Paul McCartney - Press to Play - Parte 2

Alguns arranjos sempre vão soar bons, não importa o tempo passado. Veja, por exemplo, o caso da música "Stranglehold". Esse tipo de sonoridade poderia estar em qualquer disco dos pioneiros do rock americano na década de 1950. Carl Perkins, Buddy Holly, qualquer um deles poderia assinar uma canção com essa levada. Aqui Paul valoriza os instrumentos básicos das primeiras bandas de rock, dando destaque para o bom e velho violão. Um sax maroto, que sempre me pareceu ter saído dos Comets, o grupo que acompanhava Bill Halley, completa o quadro musical.

Paul usa em sua letra também um velho clichê dos primeiros compositores do rock, com várias perguntas que vão se repetindo ao longo da canção. Também gosto do estilo de composição "apoteótica", onde a harmonia vai sempre num crescente, um velho estilo que sempre apresentou ótimos resultados. Em suma, esse é uma das melhores músicas desse álbum de Paul McCartney. Deveria inclusive ter virado single, com maior divulgação.

A música anterior mostrava que Paul sempre soava melhor quando ia nas raízes musicais, sem muita pretensão. Um pouco disso também se ouve em "Good Times Coming / Feel the Sun", na verdade uma dobradinha que Paul trouxe direto dos tempos dos Wings. Não precisa ir muito longe para perceber bem isso. Basta entrar aquele corinho com Linda e demais vocalistas de apoio para entender bem isso. Paul ainda inseriu uma bela melodia, tocada numa guitarra melosa ao estilo David Gilmour. Gosto da parte "Good Times Coming", mas não tanto de "Feel The Sun". Falta letra nessa segunda parte. Penso que esse foi um dos motivos de Paul ter unido as duas canções em uma pequeno medley. O refrão é bom, contagiante, simpático e agradável aos ouvidos, mas nada muito além disso. O solo de guitarra novamente salva tudo do lugar comum nos últimos acordes. Eric Stewart sempre um craque com seu instrumento.

"Footprints" tem uma simplicidade cativante. Aquele tipo de música que poderia ser tocada ao lado de uma fogueira na praia, durante um luau. Paul manteve a simplicidade da composição original na gravação de estúdio. Ele também canta a música de forma bem terna, sem qualquer afetação. Outra coisa que salvou a gravação é que Paul afastou qualquer resquício daquele tipo de som bem de acordo com os anos 80, com aqueles sintetizadores incômodos. O resultado ficou bonito. Existem alguns efeitos sonoros, mas bem pontuais e dentro da proposta da canção. Gosto bastante dessa faixa. É um dos bons momentos do álbum.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Morte de Luís XIV

Bom filme que reconstitui os últimos momentos de vida do Rei francês Louis XIV, o aclamado "Rei Sol", símbolo máximo do absolutismo europeu, o monarca que disse a frase "O Estado sou Eu!". Pois é, aqui o vemos sendo corroído pela gangrena, enquanto um grupo de médicos tenta fazer algo para salvar sua vida. Tudo em vão, porque a medicina da época ainda era bem rudimentar. Até charlatães surgem na corte para tentar algum "tratamento", fazendo o Rei tomar misturas exóticas como esperma de boi, suor de sapo e outras coisas bizarras. Outro fato que chama a atenção é a exótica coleção de perucas reais, pois nem no leito de morte o monarca abriu mão de seu figurino extremamente exagerado. Afinal ele era o "Rei Sol" e como tal deveria brilhar até o fim de sua vida, mesmo que sua perna estivesse apodrecendo pela doença.

Um aspecto inusitado do ponto de vista histórico é que esse mesmo monarca determinou que sua existência seria extremamente pública, nada de levar uma vida privada em seus aposentos. Assim até para tomar uma colher de canja de galinha ela tinha que ser assistido por membros da corte que como bons puxa-sacos o aplaudiam a cada colherada! Algo muito esquisito para os olhos de uma pessoa de nossos dias, mas que em Versalhes fazia parecer algo comum, do protocolo de comportamento dos nobres que faziam parte da corte Bourbon. Todos os momentos, dos mais simples do cotidiano, eram acompanhados por nobres que o assistiam acordar, escovar os dentes, tomar o café da manhã, o almoço, o jantar, tudo sendo presenciado pela corte que formava uma pequena plateia na frente do Rei.

O filme vai fundo no detalhismo, assim o espectador que estiver disposto a saber mais sobre o leito de morte do rei terá praticamente todos os mínimos acontecimentos explorados, porém de certa forma isso também se torna um problema narrativo, pois o que temos o tempo todo é apenas o Rei agonizando em sua cama, enquanto médicos, parentes e membros do clero tentam alguma solução para salvar sua vida. Praticamente não há cenas externas, tudo se passa dentro do quarto. A beleza do palácio de Versalhes nunca aparece, o que achei algo incômodo, pois era uma forma de retratar a grandiosidade daquele Rei que até hoje é lembrado por seus excessos (foi ele aliás que construiu Versalhes e o transformou no palácio real mais luxuoso e brilhante de toda a Europa). Particularmente gostei, mas sou suspeito em minha opinião, pois adoro história de uma maneira em geral. Não sei se o filme terá apelo para pessoas que não estejam tão interessadas assim naquele período histórico da França do século XVIII.

A Morte de Luís XIV (La mort de Louis XIV, França, 2016)  Direção: Albert Serra / Roteiro: Albert Serra, Thierry Lounas / Elenco: Jean-Pierre Léaud, Patrick d'Assumçao, Marc Susini  / Sinopse: O filme mostra os últimos momentos de vida do Rei Luís XIV. Doente em sua cama, com a gangrena comendo parte de sua perna, o monarca conhecido como o "Rei Sol" tenta sobreviver em meio a toda a riqueza e luxo de sua corte fabulosa. Filme premiado pelo Gaudí Awards e Lumiere Awards.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

+ Blog Elvis Presley

Há um tempo atrás o Blogger (que pertence ao grupo Google) disponibilizou uma ferramenta muito interessante a quem escrevia em blogs. Um mecanismo em que seria possível unificar blogs diversos em um só, sem perda de nenhum texto do blog que seria incorporado. Numa questão de segundos você conseguia unificar todos os blogs diferentes que tinha. Uma mudança bem-vinda.

Assim eu já havia trazido há algum tempo para o meu blog principal os textos e conteúdo de outros blogs que mantinha na net. Cinema Clássico, Cine Western, Terror e Ficção, etc. Todos foram incorporados. Pessoalmente gostei do resultado pois me poupava muito tempo e trabalho. Além disso percebi que muitos leitores só visitavam esse meu blog principal, ignorando os demais.

Agora faço o mesmo com o blog Elvis Presley. Todas as 700 postagens foram incorporadas hoje nesse espaço. Fica mais prático para quem escreve e para quem lê. Vai demorar um pouco para ajustar todos os marcadores, mas os textos já estão todos disponíveis, sem problemas. Os novos textos sobre Elvis vão dar sequência ao que já escrevia no blog anterior. A partir de hoje só manterei um único blog na internet, justamente esse aqui. Todos os outros já estão fazendo parte e agora Elvis chega para somar ainda mais. Espero que gostem das novas mudanças.

Pablo Aluísio.

Olhos Famintos 3

O primeiro filme dessa franquia de terror "Jeepers Creepers" até que tinha seu charme. Uma criatura que mais se parecia com um espantalho de plantações de milho, que ganhava vida e saía matando a esmo numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Era o típico filme de monstro, onde ele era colocado nas sombras, no meio da noite, quase nunca surgindo explicitamente. Isso criava um suspense até bem interessante, mesmo que não fugisse muito do clichê desse tipo de produção.

Nesse terceiro filme tudo que era bom no filme original se perde. Colocaram o monstro para atacar em plena luz do dia, se mostrando em demasia, em cenas pouco originais, nada inovadoras. Ele também agora dirige uma velha caminhonete, toda turbinada e cheia de armadilhas mortais. Todos que tentam entrar ou escapar dessa máquina da morte de quatro rodas acaba se dando muito mal.

A produção foi bancada em parte pelo canal Syfy, que diga-se de passagem se especializou nos piores filmes de terror e suspense da atualidade. Basta lembrar daquelas inúmeras produções com tubarões que são uma verdadeira vergonha alheia. Assim nem a presença do diretor e roteirista Victor Salva (que praticamente criou sozinho essa franquia) consegue melhorar as coisas. O saldo é bem negativo. O filme consegue ser pior do que o segundo, que ficava muito resumido ao ataque da criatura a um ônibus escolar. Esse aqui tem uma trama mais diversificada, mas nada que vá salvá-lo da categoria de filme ruim.

Olhos Famintos 3 (Jeepers Creepers 3, Estados Unidos, 2017) Direção: Victor Salva / Roteiro: Victor Salva / Elenco: Stan Shaw, Gabrielle Haugh, Brandon Smith / Sinopse: A cada 23 anos uma estranha criatura alada, proveniente das fossas infernais, volta à Terra, para espalhar terror e morte numa pequena cidade rural do meio oeste americano. Agora está de volta, dirigindo uma verdadeira máquina de terror.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A Biografia de John Wayne - Parte 7

A década de 1940 começou com John Wayne trabalhando ao lado do diretor e mestre do cinema John Ford. Essa foi uma das duplas mais marcantes da história do cinema americano. Juntos fizeram verdadeiras obras primas da sétima arte. O filme se chamou "A Longa Viagem de Volta". Para muitos esse foi o primeiro grande filme em que trabalharam. O papel de Wayne era a de um sueco chamado Ole Olsen. No começo John Wayne pensou em recusar o convite para fazer o personagem, afinal o que ele tinha a ver com um marinheiro sueco?

Para sua sorte acabou sendo convencido por John Ford a se juntar ao elenco. O filme tem ares de drama, mas também não deixando de lado a aventura, afinal era um filme passado dentro de um cargueiro que atravessava os oceanos. Wayne teve um verdadeiro desafio em sua atuação porque o roteiro não se contentava em mostrar a vida no mar, mas também em desenvolver os personagens, mostrando seus pequenos dramas interiores, suas tristezas e melancolias. O diretor John Ford fez excelentes tomadas de cena, usando para isso apenas a beleza natural ao redor, a neblina, a solidão de se trabalhar no meio do oceano, etc.

Ao ser lançado acabou se tornando um campeão de bilheteria. Também agradou bastante à crítica que encheu o filme de elogios. A Academia soube reconhecer o trabalho de John Ford. "A Longa Viagem de Volta" (que no Brasil também se chamou "Tormento no Mar") recebeu seis indicações ao Oscar, entre eles o de melhor filme, melhor roteiro (para o roteirista Dudley Nichols, que imprimiu uma forte carga dramática ao filme como um todo), melhor fotografia em preto e branco (para o diretor de fotografia Gregg Toland, que fez um brilhante trabalho) e música (para o maestro Richard Hageman, cuja orquestração deu um sabor especial para as cenas). Curioso que o filme também foi indicado na categoria de melhores efeitos especiais (para o trio R.T. Layton, Ray Binger e Thomas T. Moulton, que usando maquetes realistas fizeram as cenas em que o cargueiro passava por dificuldades em alto mar).

Depois desse grande êxito, John Wayne voltou ao mar no filme seguinte. Ele interpretava um marinheiro americano nos mares do sul em "A Pecadora". Seu personagem era a de um jovem oficial da marinha dos Estados Unidos que acabava conhecendo uma linda corista em uma das bases do Pacífico. Wayne contracenava com a diva do cinema Marlene Dietrich. Apesar de Wayne estar de quepe e uniforme militar essa não era uma produção de guerra. Os militares estavam lá, porém apenas para se divertir nas casas de shows dos portos por onde passavam. O filme tinha muita música e cenas de apresentações de Marlene Dietrich. De certa maneira era um musical, com Wayne no papel de coadjuvante de luxo. Foi um filme interessante para ele, para ter a chance de fazer algo diferente, porém no geral acrescentou mais para a filmografia de Dietrich do que para a do próprio Wayne. Afinal ela era a grande estrela do filme.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As Vidas de Marilyn Monroe - Parte 19

Billy Wilder teve a ideia de escrever o roteiro de "Quanto Mais Quente Melhor" após assistir a um velho filme alemão. No enredo dois músicos se vestiam de mulheres para escapar da máfia. Wilder mostrou seu projeto para o produtor David Selznick que não gostou nada do que leu. Misturar máfia com comédia, violência com humor, era algo perigoso e nada engraçado em sua forma de entender. Mesmo assim Wilder não desistiu e resolveu produzir ele mesmo o filme. O primeiro contratado foi o ator Tony Curtis, o que não deixou de ser curioso pois Curtis achava que Wilder não gostava dele pessoalmente.

Para o outro papel o estúdio queria muito Frank Sinatra. Um almoço de negócios foi marcado entre ele e o diretor, mas Sinatra não compareceu. Na verdade o cantor desistiu de fazer o filme por causa da ligação do roteiro com mafiosos. Ele já vinha sofrendo comparações por causa de seus amigos no submundo do crime e isso iria reforçar esse tipo de visão na imprensa. Com Sinatra fora, Wilder finalmente conseguiu contratar o ator que queria desde o começo: o comediante  Jack Lemmon.

A entrada de Marilyn Monroe no filme foi uma surpresa para todos. Ninguém estava pensando nela. Quando a atriz soube que Billy Wilder iria dirigir uma comédia com Curtis e Lemmon, decidiu ligar pessoalmente para Billy, se oferecendo para o papel de "Sugar", a bonita garota que tocava na banda só de mulheres! Wilder sabia que a entrada de Marilyn Monroe no filme mudaria tudo, já que ela era uma das maiores estrelas de Hollywood. O diretor sabia bem que Marilyn era complicada de se trabalhar, sempre chegava atrasada, não decorava suas falas e parecia sempre estar insegura. Mesmo com tantas coisas contra sua contratação, o diretor não podia ignorar também o fato de que Marilyn era um grande chamariz de bilheteria, a maior estrela de cinema da época!

O que Wilder não sabia era que Marilyn Monroe e Tony Curtis tinham um passado. Eles foram namorados anos antes. Quem recordou isso foi o próprio ator durante uma entrevista: "Eu cheguei a morar com Marilyn durante seis meses, antes que nos tornássemos famosos. Eu era apenas um jovem contratado pela Universal e Marilyn não conseguia muito trabalho na época. Eu estava apaixonado por ela, então resolvemos morar juntos. Não deu muito certo, mas guardei um certo carinho por ela, por todos aqueles anos. Quando descobri que Marilyn havia entrado no filme pensei que teríamos problemas pela frente! Algo que depois iria se mostrar verdadeiro, mas tudo bem, tudo era válido!".

Pablo Aluísio.

domingo, 12 de novembro de 2017

Fragmentado

Fazia tempo que o diretor M. Night Shyamalan estava devendo um bom filme. Finalmente depois de um hiato de falta de criatividade que durou anos, ele surge com algo realmente bom (diria até muito acima da média). Esse filme "Fragmentado" é um dos melhores que vi esse ano. Roteiro bem encaixado e o mais importante de tudo: um verdadeiro show de interpretação do ator James McAvoy. Ele interpreta um sujeito com problemas mentais, que sofre de um distúrbio que o faz desenvolver várias personalidades diferentes. Esse tema já havia sido explorado antes pelo cinema. Basta lembrar do clássico "As Três Faces de Eva", mas agora ganha contornos mais sinistros e sombrios.

Pois bem, ao longo do dia várias personas vão surgindo, desde um delicado jovem e afeminado, que sonha ser estilista, passando por Dennis, um sujeito dominador e obcecado por limpeza, até Patrícia, uma mulher que de certa maneira reflete a própria mãe repressora que ele teve na infância. Kevin (seu nome real) faz tratamento com uma psiquiatra que quer escrever uma tese sobre seu distúrbio e tudo caminha relativamente bem, até que em um surto ele decide cometer um crime, sequestrando e aprisionando três garotas nos porões de um Zoo abandonado. Imagine a aflição das jovens ao ter que lidar com esse sujeito que muda de personalidade várias vezes ao longo do dia. Tudo se torna ainda mais imprevisível e elas precisam acima de tudo sobreviver a esse alucinado jogo mortal.

M. Night Shyamalan não está preocupado em mostrar os detalhes e as nuances desse problema mental de seu protagonista. Faz bem, ao contrário disso ele explora o suspense de um típico produto pop de qualidade. Até abre margem para um elo de ligação com outro filme seu, "Corpo Fechado". Tudo muito bem escrito e elaborado, porém nada disso daria certo se não contasse com um ator inspirado no papel principal. E é justamente isso que James McAvoy prova com sua atuação. Ele está perfeito e dá realmente um show de interpretação, se transformando a cada nova personalidade. Sem dúvida esse é o filme de sua vida, aquele em que ele demonstra todo o seu talento. Imperdível para quem gosta da arte de atuar.

Fragmentado (Split, Estados Unidos, 2016) Direção: M. Night Shyamalan / Roteiro: M. Night Shyamalan / Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Haley Lu Richardson, Betty Buckley, Brad William Henke / Sinopse: A Dra Karen Fletcher (Betty Buckley) atende todos os dias um paciente que sofre um distúrbio que lhe dá várias personalidades. Agora ela percebe que duas das personalidades estão dominando todas as outras. Dennis e Patrícia são pessoas frias, violentas e com traços de psicopatia. Pior, elas sequestraram três jovens garotas e as mantém como reféns nos poróes abandonados de um Zoo sinistro.

Pablo Aluísio.

sábado, 11 de novembro de 2017

S.W.A.T.

"S.W.A.T." foi uma série policial de sucesso dos anos 70. Desde seu cancelamento em 1979 sempre se tentou revitalizar essa marca. Houve um filme fraco nos anos 90 que não fez muito sucesso. Agora o canal CBS tenta mais uma vez, novamente no formato de série. O primeiro episódio mostra o grupo precisando lidar com uma situação delicada. Durante uma operação um garoto negro morre, baleado por um dos policiais. Ele é demitido e a trágica morte gera revolta na população negra da cidade. Para acalmar os ânimos o chefe do departamento de polícia resolve nomear o sargento Hondo, que também é negro, como o novo comandante da unidade especial. Ele assim passa a servir como relações públicas e exemplo da política de afirmação social da polícia.

O que posso dizer? Pelo que se vê no piloto até que é uma boa série policial, porém sem fugir da realidade do "enlatado americano". Até aí tudo bem, já que a série original também era enlatada. A questão é que a série provavelmente não terá muito sucesso se focar apenas na pura ação. Tem que explorar os personagens, suas histórias, para dar certo. Basta olhar para séries parecidas como "Rookie Blue" e "Southland" que também eram enlatados, mas que tiveram muitas temporadas porque investiram bastante no carisma dos principais personagens, mostrando suas vidas pessoais longe das fardas policiais. Se essa nova SWAT for apenas um grupo de policiais durões colocando a bandidagem atrás das grades vai ter pouca duração. Tem que ir pelo caminho da dramaticidade para sobreviver.

S.W.A.T. (Estados Unidos, 2017) Direção: Billy Gierhart, Eagle Egilsson, Justin Lin  / Roteiro:  Shawn Ryan, Aaron Rahsaan Thomas / Elenco: Shemar Moore, David Lim, Stephanie Sigman, Kenny Johnson, Alex Russell / Sinopse: A série mostra um grupo de policiais da unidade tática especial (conhecida pela sigla SWAT) que combate o crime nas ruas de uma grande cidade norte-americana. Remake da popular série dos anos 70.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis (1973) - Parte 2

Durante o lançamento desse disco falou-se muito da faixa  "I'll Take You Home Again, Kathleen". A gravação trazia Elvis ao piano, sozinho, em belo momento de introspecção. Sem querer desmerecer o trabalho de Elvis, o fato é que essa música foi registrada quase por acaso, um ensaio, que aos poucos Elvis foi se empenhando. Era uma antiga canção que Elvis gostava de tocar ao piano desde os anos 50. Ele a tocou bastante inclusive nos tempos do exército, quando estava prestando serviço militar na Alemanha.

O produtor Felton Jarvis reconheceu os esforços de Elvis para soar diferente dentro do estúdio e resolveu intervir o mínimo possível, deixando de lado todos aqueles arranjos orquestrais, que para muitos, soava exagerados, tirando a atenção do ouvinte daquilo que era o mais importante ao se ouvir um disco do cantor, sua bela voz e a emoção que procurava transmitir em cada sílaba, em cada momento da canção. O curioso é que apesar de Elvis apreciar bastante essa música nunca a levou para os palcos, nem para dar uma canja ao piano, como fazia com "Unchained Melody". Qual era o problema? Será que tinha receios de falhar nas teclas? Não sabemos.

A faixa "Don't Think Twice, It's All Right" também foi uma espécie de ensaio que deu certo, que a RCA Victor decidiu aproveitar no álbum. Na verdade tudo se tratava de um momento ao melhor estilo Jam Session, com Elvis interagindo e brincando com a sua banda, a famosa TCB Band (a sigla TCB vinha do lema de Elvis, "Tomando conta dos negócios" que para os mais cínicos era uma auto ironia, pois Elvis nem sempre tomava mesmo conta de seus negócios). Mas enfim, na realidade só depois de muitos anos os fãs puderam ouvir a gravação inteira, com quase 8 minutos de duração. Aqui no disco oficial a RCA aproveitou apenas um pequeno trecho, quase como se fosse uma amostra grátis (ou não tão grátis) do que havia sido gravado mesmo dentro do estúdio.

"Padre" por sua vez era uma baladona ultra sentimental, com aquele tipo de sentimentalismo despudorado que Elvis algumas vezes gostava de trazer aos seus discos, principalmente nos anos 70, quando finalmente se sentiu mais livre para escolher as músicas que iria cantar. A letra, tremendo dramalhão, inicialmente contava a estorinha de um homem que relembrava seu casamento, os momentos felizes no altar e depois na primeira casa em que moravam. Tudo lindo e maravilhoso. Depois disso o drama, o desastre. Ele chorava o fim do casamento pois ela a trocara por um outro homem! Semelhanças demais com a própria vida pessoal de Elvis, não é mesmo? Era um desabafo de um homem traído para com o padre que o havia casado! Ora, ora, quem diria...

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

The Deuce

Série nova produzida pelo canal HBO. O roteiro foca em um momento de Nova Iorque bem específico, durante os anos 70. Numa parte da cidade havia toda uma série de problemas urbanos, como prostituição de rua, pornografia barata e crimes. Esse quadro durou até os anos 90 quando a política da tolerância zero fez uma limpeza na cidade, principalmente nos lugares mais decadentes, dominados pela máfia italiana. James Franco, que também é um dos produtores, interpreta dois irmãos gêmeos. Um ganha a vida como barman de uma espelunca local, o outro é um jogador viciado que está´sempre devendo dinheiro para mafiosos do baixo clero, que por causa disso estão sempre o ameaçando de morte.

A série também tem como uma das personagens principais uma prostituta interpretada pela atriz Maggie Gyllenhaal. Mãe solteira, desempregada, ela começa a fazer ponto de prostituição na frente de cinemas falidos e pequenos hotéis onde por apenas 5 dólares um cliente poderia levá-la para um programa rápido. Ela não aceita ser controlada pelos cafetões da rua e isso causa uma certa tensão. Depois, mais tarde, ela descobre o mercado ilegal de pequenas produções pornográficas e resolve aos poucos investir nesse ramo. O roteiro assim dá um panorama geral no mundo barra pesada de Nova Iorque do passado. É uma boa produção, com reconstituição de época bem feita e temática marginal. Só mesmo um canal como a HBO poderia produzir algo assim. Definitivamente esse tipo de programa não passaria em um canal aberto. Enfim, não assisti ainda todos os episódios da primeira temporada, mas os que vi são acima da média, bem recomendados.

The Deuce (Estados Unidos, 2017) Direção: James Franco, Michelle MacLaren, Uta Briesewitz / Roteiro: George Pelecanos, David Simon / Elenco: James Franco, Maggie Gyllenhaal, Kevin Breznahan,  Ralph Macchio / Sinopse: A série explora o lado mais marginal e decadente de Nova Iorque dos anos 70, onde convivia-se com a prostituição, as drogas e a exploração sexual das mulheres, nos becos mais perigosos e escuros da grande metrópole.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Thor: Ragnarok

Muita gente reclamou, muitos não gostaram, mas irei contra a opinião predominante. Eu gostei dessa nova aventura do Thor nos cinemas. Na minha forma de ver esse filme resgata o espírito dos primeiros quadrinhos do personagem, os que foram publicados ainda nos anos 60, assinados por Stan Lee e Jack Kirby. Tudo é colorido, movimentado, priorizando a diversão acima de qualquer outra coisa. Exatamente o que se encontrava nas primeiras edições da Marvel. Nada de conceitos mais elaborados ou de filosofia de botequim. Tudo foi planejado e realizado pensando-se principalmente no público mais jovem, nas crianças, exatamente porque a Marvel sabe que o futuro de sua empresa passa pela formação de uma nova geração de leitores. Os mais velhos torceram o nariz? Ora, o filme não foi feito para eles mesmo.

O enredo é bem simples: a filha mais velha de Odin (Anthony Hopkins), chamada Hela (Cate Blanchett), volta para reivindicar o trono do pai. Ela é a Deusa da Morte, o que significa que está disposta a eliminar qualquer ameaça que surja pela frente. A única força capaz de parar suas ambições seria justamente o Deus do Trovão Thor (Chris Hemsworth), mas ele, por sua vez, está tentado resolver seus próprios problemas, pois foi preso em um estranho planeta, feito gladiador para lutar nas arenas, onde acaba enfrentando, vejam só, o Hulk (Mark Ruffalo)! Parece mesmo estranho, até pueril o enredo, mas foi justamente essa a intenção dos roteiristas. É um roteiro que poderia facilmente ter sido escrito por Stan Lee, com ilustrações de Jack Kirby. O traço desse desenhista aliás foi a fonte de inspiração da direção de arte desse filme, com muitas cores e exageros, típicos dos quadrinhos dos anos 60. Por causa dessa referência histórica e artística, o filme se mantém bem até o final, quando finalmente surge no horizonte o tal  Ragnarok, o apocalipse dos deuses! Tudo muito divertido, leve e saboroso! Em nenhum aspecto achei o filme ruim, muito pelo contrário, ele é mais honesto com o verdadeiro Thor original dos quadrinhos do que qualquer outra produção que tenha sido feita com o personagem. Está tudo muito adequado. Assista e se divirta sem culpas. 

Thor: Ragnarok (Estados Unidos, 2017) Direção: Taika Waititi / Roteiro: Eric Pearson, Craig Kyle, baseados na obra de Stan Lee / Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Karl Urban, Tessa Thompson / Sinopse: A primogênita de Odin está de volta. Exilada por milênios nas sombras, a Deusa da morte Hela quer vingança. Sua intenção é assumir o trono do pai em Asgard, mas para que isso aconteça precisará enfrentar os irmãos Thor e Loki.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Amor em Tempos de Guerra

Outro filme que conta com uma bonita produção, belas cenas e fotografia, mas que no geral me deixou com a sensação de ser bem vazio e superficial. Esse "Amor em Tempos de Guerra" conta com um roteiro que parece ter saído daquelas publicações bem românticas e idealizadas como "Sabrina". Na história temos uma jovem americana, muito idealista, que resolve ajudar os mais pobres e humildes. Ela tem formação de enfermeira e aceita o convite de um jovem médico (tão idealista quanto ela) para ir trabalhar como voluntária em um hospital distante e isolado, nas fronteiras da Turquia. A época é o começo do século XX, com a iminência de uma grande guerra começando por toda a Europa (a I Primeira Guerra Mundial), o que tornará tudo ainda mais difícil e complicado.

A mocinha cheia de boas intenções é interpretada pela atriz islandesa Hera Hilmar. Não a conhecia, acredito que nunca assisti nenhum filme com ela. A garota é bonita, mas ao mesmo tempo tem um jeito de ser chatinha, enfadonha. Sua expressão é a mesma daquela menina que exagerou no chocolate e ficou com o rosto inchado, passando um pouco mal. A sua paixão no filme, que dá título original ao filme (o tal tenente otomano) é feito por Michiel Huisman, outro que não conhecia. É bem improvável que um muçulmano fosse se apaixonar por uma cristã naquela época, mas tudo bem, a gente releva esse tropeço histórico e cultural do roteiro. O médico que a leva para o meio do nada é interpretado por Josh Hartnett, o lobisomem da série "Penny Dreadfull". No final das contas o único ator com maior nome é Ben Kingsley. Ele está no filme dando vida a um médico veterano, já cansado pelos anos, com pouco esperança que as coisas um dia vão melhorar. Em minha opinião o filme poderia ter explorado mais o massacre dos armênios cristãos pelos otomanos muçulmanos, mas a verdade é que o filme não está muito preocupado com esse tipo de coisa, ele só quer mesmo contar uma história de amor.

Amor em Tempos de Guerra (The Ottoman Lieutenant, Estados Unidos, Bélgica, 2017) Direção: Joseph Ruben / Roteiro: Jeff Stockwell / Elenco: Hera Hilmar, Josh Hartnett, Ben Kingsley, Michiel Huisman / Sinopse: Jovem enfermeira idealista decide ir trabalhar em um hospital distante e isolado na Turquia e acaba se apaixonando por um tenente muçulmano do exército otomano, bem nas vésperas do começo da I Grande Guerra Mundial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Aventureiro: A Maldição da Caixa de Midas

Essa é uma produção inglesa que tenta pegar carona naquele velho filão de aventuras arqueológicas. Basicamente temos um grupo de pessoas que procura colocar as mãos em um artefato que pertenceu ao Rei Midas. Sim, aquele lendário monarca da antiguidade que segundo as lendas transformava tudo o que tocava em ouro! O tal objeto é uma caixa, que se cair em mãos erradas pode trazer riquezas ilimitadas ao seu novo dono, causando com isso inúmeros problemas ao mundo. Como se pode perceber não há nada de muito relevante, a não ser uma tentativa do atual cinema inglês em seguir os passos do americano Indiana Jones, com resultados bem modestos em termos artísticos.

Inegavelmente o filme tem boa produção. Figurinos luxuosos, cenários bem feitos e elenco muito bom, contando inclusive com dois atores que sempre gostei: Michael Sheen e Sam Neill. O problema básico é que mesmo com todo esse luxo a coisa não funciona, ou melhor colocando a questão, não funcionará se você tiver mais de 12 anos de idade. Sim, esse filme é um produto meramente juvenil, bem adequado para crianças e adolescentes, ao estilo das aventuras do Tio Patinhas. Para os mais velhos a coisa toda soará bem banal e sem graça. O roteiro é baseado na obra desse autor inglês contemporâneo chamado G.P. Taylor, que escreve livros para adolescentes. Penso que sua criação ficaria melhor em uma adaptação para os quadrinhos. Para o cinema faltou mesmo maior conteúdo.

O Aventureiro: A Maldição da Caixa de Midas (The Adventurer: The Curse of the Midas Box, Inglaterra, Bélgica, Espanha, 2013) Direção: Jonathan Newman / Roteiro: Christian Taylor, Matthew Huffman / Elenco: Michael Sheen, Lena Headey, Sam Neill, Ioan Gruffudd / Sinopse: Um artefato milenar, a caixa do Rei Midas, passa a ser procurado e disputado por um grupo de pessoas, entre eles o agente do governo Johnny Charity (Michael Sheen) e o vilão Otto Luger (Sam Neill), o milionário dono de um hotel onde supostamente o objeto arqueológico está enterrado há séculos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

15 Minutos

Nos anos 70 ter o nome de Robert De Niro em um poster de filme era sinônimo de grande filme sendo exibido. O tempo passou... e bem, isso deixou de ter importância. Principalmente a partir dos anos 90 De Niro começou a fazer uma incrível sucessão de filmes fracos, alguns descartáveis e outros ainda constrangedores. Esse "15 Minutos" se enquadra na categoria de descartável. Lançado diretamente nas locadoras de vídeo no Brasil na época era aquele tipo de fita policial facilmente esquecível, um genérico sem graça de um estilo que havia gerado excelentes filmes na década anterior. Agora tudo parecia mera lembrança, sombra do que um dia foi.

A trama também não ajuda. Tudo começa quando o tira interpretado por De Niro vai investigar dois corpos encontrados em uma casa que foi incendiada. Supostamente aquelas pessoas teriam sido mortas pelo fogo, mas depois descobre-se que elas foram assassinadas, com o incêndio servindo apenas para destruir provas e pistas do crime. E assim o filme segue, com pequenas reviravoltas, envolvendo inclusive dois estrangeiros que estariam ligados às mortes. Nada muito inspirador ou memorável. Para falar a verdade 15 minutos após assistir ao filme você acaba mesmo esquecendo de tudo o que viu. Cinema fast food descartável e esquecível de pouco valor artístico. Melhor esquecer mesmo.

15 Minutos (15 Minutes, Estados Unidos, 2001) Direção: John Herzfeld / Roteiro: John Herzfeld / Elenco: Robert De Niro, Edward Burns, Vera Farmiga, Charlize Theron, Kelsey Grammer / Sinopse: Robert De Niro interpreta um policial de Nova Iorque que passa a investigar o assassinato de duas pessoas desconhecidas, encontradas em uma cena de incêndio. Inicialmente pensa-se que foram mortas pelas chamas do fogo, mas depois descobre-se que tudo não passou de uma cortina de fumaça para esconder as provas do crime, do duplo assassinato. Filme indicado ao World Stunt Awards, o Oscar dos dublês. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 15

Depois da fortuna recebida pela filme "Superman", Marlon Brando pensou em se aposentar. Dizia ele que já havia feito tudo o que um ator poderia fazer em Hollywood. Já havia subido os degraus do sucesso de público e crítica, assim como caído nas fossas do fracasso comercial. Não havia mais nada na indústria cinematográfica americana que o convenceria a sair de seu retiro em sua querida ilha Tetiaroa, localizada na distante Polinésia Francesa. Brando dizia que assim que seu avião pousava em Los Angeles sua pressão aumentava imediatamente. Era um reflexo do stress e da tensão que vivia quando chegava nos Estados Unidos. Já na sua ilha particular ele conseguia relaxar e ser feliz.

Só que foi a própria ilha que o fez retornar ao cinema. Brando havia gasto muito dinheiro na construção de um hotel e um resort turístico. Assim que tudo estava terminado, um furacão passou e destruiu com tudo. Todo o investimento foi perdido. Brando ficou sem recursos para seguir em frente com seus sonhos paradisíacos. Assim precisou telefonar para seu agente em Hollywood para avisar que ele aceitasse ofertas de trabalho, que ele ainda estaria no jogo, pronto para atuar. Seus planos de aposentadoria foram deixados de lado. Ele ainda precisava ganhar dinheiro para levantar tudo de novo em Tetiaroa. 

Uma vez a cada quatro ou cinco meses Brando voltava para os Estados Unidos. Recebia os roteiros de propostas de novos filmes e avaliava se algum lhe interessava. Eram pilhas e pilhas de roteiros ruins, muitos deles eram apenas variações do seu personagem mafioso de "O Poderoso Chefão". Marlon Brando não tinha a menor intenção de fazer um filme sobre gangsters novamente. Era muito limitado e sem imaginação, em sua opinião. Como um ator que sempre primou por apenas trabalhar naquilo que interessava, ele não estava mais disposto a encarar produções apenas por motivos puramente comerciais. 

Demorou quase um ano até que viesse a surgir algo que valesse a pena. O diretor Francis Ford Coppola, com quem Brando havia trabalhado em "O Poderoso Chefão" lhe telefonou numa manhã. Disse que tinha um papel em mãos em que apenas ele, Marlon Brando, poderia atuar. Era uma adaptação de um livro de autoria do escritor Joseph Conrad chamado "Heart of Darkness", lançado em 1902. Brando conhecia o trabalho original. Esse livro quase virou filme nas mãos de Orson Welles nos anos 1950. Só que Coppola queria adaptar tudo para uma realidade passada na Guerra do Vietnã. O nome do personagem de Brando seria Walter E. Kurtz, um Coronel americano que havia enlouquecido nas selvas do continente asiático. Coppola chamaria o filme de "Apocalypse Now". Tudo parecia estar no lugar certo. Brando praticamente aceitou na mesma hora o convite. Aquele sim era um projeto que valia a pena se envolver. 

Pablo Aluísio